|
SOBRE O PROJETO
O Dr. Miguel Carlos Riella, médico nefrologista e fundador da Fundação Pró-Renal, devido a sua vasta experiência profissional e sempre pensando na qualidade de vida dos pacientes, está trazendo para o Brasil este novo método de tratamento da diabetes tipo 1, através do transplante das células produtoras de insulina (ilhotas de Langerhans).
A partir desta iniciativa, a Fundação Pró-Renal, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná e a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Paraná (Programa Paraná Tecnologia) estão construindo o Núcleo de Engenharia de Tecidos, onde funcionará o laboratório de isolamento das ilhotas. Este laboratório estará localizado na PUC-PR, campus Curitiba, no prédio onde funciona atualmente o laboratório de farmacologia que encontra-se em fase de reformas.
Em 2001 profissionais com formação na área de Bioquímica estiveram em treinamento em dois centros de referência mundial no estudo da diabetes. Tânia Madalozzo estagiou no Diabetes Research Institute (DRI) em Miami (EUA) e Elaine Doff Sotta esteve na Universidade de Alberta, em Edmonton (Canadá), acompanhando de perto o desempenho deste grupo, responsável pelo protocolo atualmente adotado para o transplante de ilhotas. Com fundamental colaboração das equipes destes dois centros está sendo possível implantar, aqui no Brasil, os processos necessários para a realização de isolamentos das ilhotas para o transplante.
Devido à necessidade de formação de uma equipe multidisciplinar para a implantação do projeto na sua Totalidade, em maio de 2002, a médica nefrologista Luciana Soares Percegona iniciou seu treinamento com a equipe do DRI na Universidade de Miami (EUA).
A Secretaria de Ciência e Tecnologia do Paraná, como participante deste projeto, forneceu apoio financeiro para compra de parte dos equipamentos necessários ao funcionamento do laboratório e aguarda-se apenas a finalização da reforma para que sejam instalados.
Transplante de células para diabéticos – uma realidade no Brasil
Nos países mais desenvolvidos, aproximadamente a metade dos pacientes que fazem diálise crônica o fazem devido a perda da função dos rins pelo diabete. Em nosso meio, temos em média 30% dos pacientes em diálise como diabéticos. Considerando os 55 mil pacientes que fazem diálise no Brasil, temos uma idéia da magnitude do problema.
Os diabéticos tipo I, insulino-dependentes, são os mais afetados a longo prazo pelas temíveis complicações vasculares do diabete: retinopatia que pode levar à cegueira, insuficiência dos rins, necessitando de diálise e/ou transplante, e a insuficiência vascular periférica que pode acarretar amputações dos membros inferiores. Nos últimos, a busca por alternativas curativas da doença, assim como preventivas, tem sido objeto de investigações intensas. Infelizmente, medidas preventivas do desenvolvimento do diabete não têm sido muito bem sucedidas devido ao fato de que, ao se manifestar o diabete, as células produtoras de insulina (ilhotas) já foram destruídas por um processo imunológico não muito bem compreendido.
Restam atualmente duas alternativas: o transplante total do pâncreas (órgão que armazena as ilhotas) e o transplante apenas das células profutoras de insulina (ilhotas).
O sucesso com o transplante total do pâncreas é inquestionável, com resultados nos melhores centros do mundo em torno de 90% de sucesso. As restrições a este procedimento ainda esbarram no fato de ser um procedimento cirúrgico de grande porte, ao uso de imunossupressão (drogas anti-rejeição) e as complicações inerentes ao procedimento.
Transplante de células (ilhotas):
Esta é uma alternativa atraente, porque não envolve uma cirurgia de grande porte, a imunossupressão (drogas anti-rejeição) é menos intensa e o procedimento resume-se apenas a uma infusão de células na veia aorta do fígado, podendo inclusive ser feito em caráter ambulatorial, sob anestesia local.
Os candidatos a este procedimento são basicamente os portadores de diabete tipo I, insulino-dependente e que não vão bem, tendo dificuldade de controlá-lo, tendo muitas crises de hipoglicemia, muitas vezes correndo risco de vida. Também aqueles pacientes que receberem um rim num transplante poderiam se beneficiar das ilhotas do mesmo doador.
Realidade brasileira:
No dia 1.º de dezembro de 2002, o Laboratório de Química da Universidade de São Paulo isolou as ilhotas de um pâncreas humano, e as células foram implantadas numa paciente no Hospital Albert Einstein. Este procedimento é um marco na medicina brasileira, porque abre uma nova era para os pacientes diabéticos, uma melhor perspectiva de vida.
Dia 26 de setembro de 2002, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná inaugurou o Laboratório de Engenharia e Transplante Celular, que é o segundo Laboratório de Isolamento de Ilhotas Humanas no Brasil, e pretende, neste ano de 2003, iniciar a implantação destas células em pacientes diabéticos. Este projeto tornou-se viável graças a uma parceria do Governo do Paraná, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, do Programa Paraná Tecnologia, da PUC/PR e da Fundação Pró-Renal. Técnicos e médicos foram treinados no exterior e equipamentos foram importados, de forma que tudo está pronto para que este laboratório inicie os transplantes em breve.

|