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PRINCIPAIS DÚVIDAS SOBRE O TRANSPLANTE DE ILHOTAS
1. O que é Diabetes?
O Diabetes é uma doença crônica, caracterizado por uma disfunção no pâncreas, mais especificamente nas células produtoras de insulina, conhecidas como Ilhotas de Langerhans. O Diabetes pode ser causado pela pouca ou nenhuma produção da insulina, ou ainda pelo fato do organismo não ser capaz de utilizar a insulina produzida. Este desequilíbrio na utilização da insulina causa um aumento no nível de glicose (açúcar) no sangue, o que pode ser muito prejudicial ao organismo.
2. Quantos tipos de Diabetes há?
Existem vários tipos de diabetes, mas os mais comuns são o tipo 1 e o tipo 2. E em ambos o tratamento é diferenciado, já que a causa da doença também não é a mesma nos dois tipos.
3. O que vem a ser Diabetes Mellitus tipo 1?
O diabetes mellitus tipo 1 aparece geralmente em pessoas jovens, antes dos 30 anos e é causado pela incapacidade das células pancreáticas (ilhotas) em produzir quantidades suficientes de insulina. As células de defesa do próprio organismo (anticorpos) promovem uma destruição progressiva das ilhotas. O diabético tipo 1 para o controle glicêmico depende de injeções diárias de insulina, sendo denominado de insulino-dependente. Pacientes desse tipo representam aproximadamente 10% do número total de diabéticos.
4. E o Diabetes Mellitus tipo 2?
O diabetes mellitus tipo 2 aparece geralmente após os 40 anos, tem forte fator hereditário e freqüentemente está associado à obesidade e ao sedentarismo. Neste tipo, a produção de insulina pode ser normal ou até aumentada, mas o organismo não é capaz de utilizá-la. É o que se chama de resistência à insulina. Neste tipo de diabetes os altos níveis de açúcar no sangue podem ser controlados habitualmente com uma dieta alimentar apropriada e/ou através de medicamentos via oral. Pacientes desse tipo representam aproximadamente 90% dos casos de diabetes.
5. Quais as alterações relacionadas com o controle da glicemia em pacientes diabéticos?
O diabético pode apresentar dois extremos em relação à glicemia. Um deles é a crise de hipoglicemia, que ocorre quando a taxa de açúcar no sangue está baixa (bastante comum durante um longo intervalo entre as refeições e nos casos de exercícios em demasia). A outra crise é a de hiperglicemia, que é justamente o oposto da anterior, ou seja, a taxa de açúcar está elevada e pode acontecer, por exemplo, devido a uma alimentação exagerada. Em ambos os casos, a glicemia deve ser dosada e os pacientes devem relatar o fato ao médico responsável.
6. Qual é a conseqüência do diabetes?
Como conseqüência do diabetes os pequenos vasos sanguíneos do organismo são lesados e os rins, assim como outros órgãos incluindo os olhos, pele, nervos, músculos, intestinos e coração, também são afetados. O rim torna-se incapaz de filtrar o sangue adequadamente quando seus vasos sanguíneos são lesados. Nesse caso, a eliminação do excesso de água e sal no organismo torna-se mais difícil e substâncias tóxicas acumulam-se no sangue. Vasos da retina (área responsável pela visão) também podem ser lesionados pelo diabetes levando a cegueira em alguns casos. Vasos do coração e do cérebro também são afetados levando a ataque cardíaco e ao derrame cerebral. Quando os nervos são lesados pelo diabetes (neuropatia), há uma dificuldade no esvaziamento da bexiga, podendo ocorrer infecções urinárias e anestesia nos pés e pernas podendo facilitar a formação de feridas que e infectarem podem levar num estadio mais avançado a amputação do membro.
7. Como o organismo controla os níveis glicêmicos?
Como o método natural do organismo em controlar os níveis de açúcar no sangue (por meio da insulina) não funciona adequadamente, o paciente então terá que controlar essa taxa de glicose artificialmente, através de remédios ou da introdução de insulina (injeções), dependendo do caso.
8. O que são ilhotas pancreáticas ou de Langerhans?
As células produtoras de insulina são também conhecidas como Ilhotas de Langerhans. Uma Ilhota é um conjunto de células que se apresenta na forma de uma "esfera" microscópica e encontra-se distribuída pelo pâncreas, um órgão localizado atrás do estômago. As ilhotas foram primeiramente estudadas e descritas por Paul Langerhans em 1869, daí o nome Ilhotas de Langerhans. Um pâncreas adulto contém de 700.000 a 1,2 milhão de ilhotas, o que representa de 2 a 3% da massa total do órgão.
9. Como é feito o ISOLAMENTO DAS ILHOTAS para o transplante?
As ilhotas são retiradas do pâncreas, proveniente dos mesmos doadores de coração, pulmão, fígado, rins e córneas. Os doadores e suas famílias decidem previamente que, após o falecimento do paciente-doador, seus órgãos serão doados.O isolamento tem início com a preparação do pâncreas doador. Uma solução enzimática (digestiva) é injetada no órgão para iniciar a digestão pancreática. O pâncreas e a solução enzimática são colocados em uma câmara que é agitada, para quebrar o tecido em pedaços menores. Esse tecido pancreático passa por um filtro resultando num tecido não purificado onde estão as ilhotas. Este tecido é lavado várias vezes e purificado para que o resultado final seja só a presença das ilhotas pancreáticas. O tecido purificado será utilizado para o transplante. O tempo gasto para este procedimento é de aproximadamente 6-10 horas.
10. Como é realizado o transplante de ilhotas?
Uma vez no hospital o paciente assinará um termo de consentimento autorizando o transplante. Logo após ele será submetido à medicação prévia, exames laboratoriais e raio-X torácico. Uma pequena cirurgia é realizada por um médico radiologista, com anestesia local. Um cateter (tubo fino) é introduzido no lado direito do abdômen, onde se localiza o fígado. Este procedimento pode levar de 30 minutos a algumas horas, dependendo da situação. As células são injetadas no fígado através deste cateter, que é retirado logo após o transplante.
O paciente retorna ao quarto, onde ficará deitado por 4h tendo seus sinais vitais e níveis de glicose monitorados. Exames laboratoriais e ultra-sonografia são realizados para se certificar de que não há sangramento interno e que o sangue está fluindo normalmente pela veia porta (veia por onde foram injetadas as células). Se os resultados destes exames forem satisfatórios, o paciente terá alta hospitalar. O tempo de internação poderá variar de 12h a quatro dias.
11. Algum membro da família pode doar as ilhotas?
Não. O pâncreas inteiro deve ser processado para poder ter o número suficiente de ilhotas para reverter a diabetes e este órgão é essencial para ávida.
12. Quem poderá fazer o transplante?
Pacientes com diabetes tipo 1 e idade aproximada entre 18 e 65 anos, que não respondem adequadamente a um controle ótimo da terapia por insulina, com uma ou mais das seguintes complicações:
- Incapacidade de perceber crises hipoglicêmicas (açúcar baixo no sangue);
- Instabilidade metabólica (variação extremas no nível de glicose no sangue), apesar de manter um rigoroso regime alimentar e de insulino-terapia;
- Pacientes que apresentem complicações progressivas da diabetes, como perda da visão, lesão aguda nos rins e nervos (perda da sensibilidade), além de problemas vasculares (circulação periférica).
13. Quem não poderá fazer o transplante?
Pacientes que apresentem:
- Doenças cardíacas severas;
- Enfermidade mental, falta de comprometimento com a própria saúde,
- Histórico de alcoolismo ou abuso de drogas;
- Infecção ativa ou doença maligna (câncer);
- Peso superior a 25% do peso ideal (obesidade);
- Diabetes mellitus tipo 2;
- Insuficiência Renal Crônica (doença crônica dos rins);
- Desejo ou possibilidade de gravidez (as medicações poderão prejudicar o feto);
- E que sejam fumantes
14. Porque o Diabético Tipo 2 NÃO PODE receber esse transplante?
A proposta desse transplante é devolver ao corpo do paciente as células que produzem insulina (as ilhotas). No diabético tipo 1, essas ilhotas foram erroneamente destruídas pelas próprias células de defesa do organismo. Por esse motivo, este é o público alvo deste tratamento. No caso do diabético tipo 2, ele possui essas células e elas são funcionais, ou seja, produzem insulina. O problema está no fato de que suas células musculares e adiposas são incapazes de utilizar esta insulina secretada (o que é chamado de "resistência insulínica"). Por esta razão este tipo de tratamento não é indicado para esses pacientes.
15. Qual a porcentagem dos casos bem sucedidos?
Segundo a literatura, os resultados de aplicação do Protocolo de Edmonton (Canadá-2001), 85% dos transplantados alcançam a independência da insulina no primeiro ano e 70% no segundo ano após o transplante (www.med.alberta.ca/islet). No entanto, por tratar-se de um tratamento relativamente recente, estes dados são precoces, ainda não tendo relatos dos resultados a longo prazo.
16. Como é o pós-transplante?
Após o transplante, o paciente terá a responsabilidade de cuidar das células transplantadas. Esse cuidado será fundamental para o bom funcionamento das células e, conseqüentemente, para o sucesso do tratamento. Ele deverá utilizar medicamentos imunossupressores (que evitam a rejeição) enquanto estas células mantiverem-se funcionais. Há possibilidade de que estes medicamentos sejam tomados durante a vida toda. Sem a medicação e o acompanhamento adequados, o paciente estará contribuindo para o fracasso do tratamento. Os pacientes deverão, ainda, monitorar cuidadosamente sua taxa de glicose no sangue e, inicialmente, continuar o uso da insulina, pois as células transplantadas necessitam de um tempo de adaptação (tempo de "pega") ao novo local (fígado). A necessidade do uso de insulina irá variar a cada transplante e os profissionais responsáveis é que irão ajustar as doses. É importante lembrar que o paciente poderá passar por mais de um transplante até atingir o número suficiente de células funcionais em seu corpo, que permitam sua independência ao uso da insulina.
O sucesso do transplante de ilhotas é como uma colheita: nem toda semente plantada resultará em uma planta. No entanto, se você preparar bem o solo e regar as sementes, você estará aumentando as chances de uma boa colheita.
17.Quanto irá custar este transplante?
Por tratar-se de um procedimento novo no país, os custos totais ainda não estão definidos. Toda a equipe envolvida, juntamente com o Ministério da Saúde e demais convênios, estudará a melhor maneira de promover o acesso da população a esse tratamento. Em Edmonton - Canadá, apenas o processamento do pâncreas para o isolamento das células custa, em média, US$ 10.000,00 (dez mil dólares). Ainda, depois do transplante, a manutenção mensal do paciente com os medicamentos necessários é de aproximadamente US$ 500,00 (quinhentos dólares). Os primeiros 12 transplantes a serem realizados não haverá custo nenhum a você.
18. Se eu já tenho um órgão transplantado, posso ser um candidato?
Os critérios atuais ainda não oferecem o transplante de ilhotas a pacientes com história de transplante de outros órgãos. No entanto, com o avanço das técnicas da medicina, é provável que, dentro de alguns anos, este obstáculo seja superado e pacientes com órgãos transplantados anteriormente possam receber o transplante de Ilhotas.
19. Neste transplante pode haver rejeição?
Como em todo transplante o organismo do paciente, através do sistema imune (sistema de defesa do organismo), irá identificar que as células transplantadas não são parte do seu corpo e ativará esse sistema para defendê-lo dessas células "intrusas", podendo apresentar rejeição a esses "corpos estranhos". Para diminuir esse risco de rejeição é que são ministrados os imunossupressores.
20.Quais os riscos envolvidos no transplante?
Entre outros, estes são os principais riscos:
- Sangramento na punção do fígado, embora os cuidados prévios tenham sido adotados;
- Trombose na veia porta, mesmo com relato de poucas incidências;
- Infecções decorrentes do uso de medicamentos imunossupressores.
21.Este tratamento é uma cura?
Não. O transplante de ilhotas é uma forma de tratamento de longa duração para pessoas que sofrem de diabetes tipo 1. Estas células transplantadas estarão cumprindo sua função de produzir insulina enquanto se mantiverem funcionais e em número suficiente. Existe ainda o risco do corpo rejeitá-las. Trata-se, portanto de um programa de pesquisa em desenvolvimento, cujos resultados a longo prazo ainda não são conhecidos. Embora um número suficiente de células produzam insulina e o paciente não precise mais fazer o uso de insulina não se fala em “cura” do diabetes porque ele ainda precisará tomar medicamentos anti-rejeição.
22.Porque pacientes com menos de 18 anos não podem receber essa transplante?
O organismo das crianças e adolescentes ainda não está totalmente desenvolvido, possuindo um certo grau de fragilidade. Nas crianças, principalmente, é maior o risco de uma trombose na veia porta (obstrução da veia por onde são injetadas as ilhotas). Por esta e outras razões de saúde (uso prolongado de imunossupressores) é que foi estipulada a data mínima de 18 anos para a realização deste transplante.
23.Este tratamento (transplante de ilhotas) é considerado um procedimento experimental?
Sim, o FDA (Federal Drug Administration) nos Estados Unidos considera o procedimento experimental e, portanto o centro transplantador precisa de autorização prévia de funcionamento e monitorar muito bem o procedimento de isolamento das células para assegurar-se de que não levarão riscos para os pacientes como infecções bacterianas e/ou virais. O nosso Laboratório também irá obter esta autorização de funcionamento das autoridades brasileiras e fará vários isolamentos antes de fazer o primeiro implante em humanos. Precisamos nos certificar de que as células isoladas estão livres de contaminação bacteriana ou por outros microorganismos. No entanto no Canadá o transplante de ilhotas já é considerado uma forma terapêutica para pacientes diabéticos.
CRITÉRIOS DE INCLUSÃO
- Diabetes Mellitus tipo 1 acima de 5 anos
- Idade entre 18 e 65 anos
- Controle metabólico instável
- Hipoglicemia Assintomática
- Pobre controle glicêmico (HbA1c) > 8,0%
- Complicações progressivas do diabetes
CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO
- Peptídeo C Basal >0.3
- Peptídeo C >0.3 após estímulo
- HbA1c>12%
- Necessidade insulínica >0,7UI/Kg/dia
- Índice de Massa Corporal >26 kg/m 2
- Hemoglobina <12.0mg/dl
- Clearance de creatinina <60ml/min
- Macroalbuminúria (>300mg/24hrs)
- Alteração da função hepática
- Alteração da função tiroidiana
- Dislipidemia
- Alteração do coagulograma
- Alteração bioquímica
- Sorologia HIV, HBsAg/HCV/HTLVI positiva
- PSA > 4
- PRA >20%
- Transplante prévio
- História de malignidade
- Raio X de tórax com evidência de infecção
- Infecção ativa
- Ecografia abdominal anormal
- Mamografia anormal
- Exame ginecológico com evidência de infecção ativa
- Status cardiovascular instável
- Retinopatia proliferativa não tratada
- Exame odontológico anormal
- PPD positivo
- Sem acompanhamento medico por mais de 6 meses
- Gravidez ou amamentação
- Uso de droga ilícita, tabagismo ou etilismo
- Qualquer situação que faça com que o transplante de ilhotas não seja seguro

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