Ano 02 | Edição 02| Março e Abril de 2012

Editorial do Dia Mundial do Rim

Prezados leitores (as) do Info Ciência, o seu, o nosso informativo eletrônico científico da Fundação Pró-Renal !!

Este ano tive a oportunidade de constatar “ao vivo” o a importância das nossas ações como profissionais da saúde e o resultante impacto social que a equipe multidisciplinar da Fundação Pró-Renal trás para a sociedade da nossa grande Curitiba e sua região metropolitana. Nos dias 08 e 09 de Março de 2012, em uma grande tenda montada na Praça Rui Barbosa, numa estreita parceria entre a Fundação Pró-Renal e Instituições de Ensino Superior de Curitiba, centenas de pessoas puderam ser atendidas, orientadas, instruídas, enfim, puderam receber mais noções e informações a respeito da doença renal crônica e algumas de suas causas e consequências.

Como resultado dos esforços combinados da equipe de saúde (medicina, enfermagem, nutrição, serviço social, farmácia, psicologia), equipes de apoio (direção geral, informática, comunicação) e outros tantos aqui não citados, dezenas de cidadãos e cidadãs foram diagnosticados como portadores de enfermidades renais que merecem investigação adicional em nossos diversos ambulatórios. São pessoas que corriam enorme risco de serem vistas apenas em estágios já muito adiantados da patologia (DRC) e que receberam a oportunidade de serem tratados de forma mais precoce, o que pode possibilitar desfechos mais favoráveis para a saúde de muitos. 

Embora a temática central do Dia Mundial do Rim deste ano tenha sido o Transplante Renal e a Doação de Órgãos, existe naturalmente uma íntima relação entre estes temas e a Doença Renal Crônica. Assim, ressaltamos a importância de oferecer ao paciente renal crônico em fase pré-dialítica ou já em diálise as melhores oportunidades possíveis, dentre as quais o tratamento por transplante renal, que quando bem indicado e bem sucedido, se constitui na maneira mais eficiente de conduzir de volta o paciente para uma sociedade produtiva.

E finalizando, este número 3 do Info Ciência trás para você um pouco mais da equipe multidisciplinar da Fundação Pró-Renal, com destaque para Odontologia, além das já consolidadas informações das grandes áreas da Nefrologia. Uma boa leitura e grande abraço.

Sérgio Bucharles



Editorial da Equipe Multidisciplinar


A Alteração Bucal Mais Prevalente em Pacientes Portadores de DRC.

Este ano o Ambulatório de Odontologia da Fundação Pró-Renal completa 10 anos. Após realizarmos um levantamento das alterações bucais mais observadas na população atendida, concluímos pela presença da doença periodontal como a mais importante e prevalente.

A doença periodontal é a destruição irreversível dos tecidos que sustentam os elementos dentários e inúmeros trabalhos correlacionam as bactérias periodonto - patogênicas a  diversas condições clínicas sistêmicas como aterosclerose e suas consequências (acidente vascular cerebral, doença arterial coronariana), geração e amplificação do processo inflamatório sistêmico e outras situações diversas como indução de parto prematuro e pneumonia aspirativa.

Para o paciente renal crônico são inúmeras as implicações em relação à periodontite, que vão desde a presença de focos de infecção local e perda de dentes, a casos com maior gravidade como as pneumonias aspirativas de origem bucal, especialmente graves em pacientes no pós-transplante renal. Para isso é de extrema importância a integração multidisciplinar no preparo pré-transplante, para os cuidados higiênicos no dia a dia e em consultas periódicas devido ao acúmulo atípico de cálcio entre os dentes, um dos fatores iniciais para evolução da doença.

Dra. Renata Cristina Canuto Reis
Odontologista e Mestranda em Odontologia Clínica 
Responsável pela Pesquisa Clinica do Ambulatório de Odontologia da Fundação Pró Renal.

 


 

 

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Calendário de Eventos • Nefrologia – 2012

Hemodialysis and peritoneal dialysis are associated with similar outcomes for end-stage renal disease treatment in Canada.

Autores: : Karen Yeates, Naisu Zhu, Edward Vonesh, Lilyanna Trpeski, Peter Blake and Stanley Fenton.

Nephrolology Dialysis Transplantantion (2012) 0: 1–8.

Comentários pelo Dr. Rafael Romani

A escolha do método dialítico na doença renal crônica deve levar em conta, entre outros aspectos, a preferências pessoais dos pacientes, a eficiência do método para o paciente em questão, além de planejamento estratégico da terapia de substituição renal, como a preservação do leito vascular e o posterior encaminhamento para transplante renal. Este estudo de coorte canadense, publicado no periódico Nephrology Dialysis Transplantation do ano corrente analisou os dados de milhares de pacientes em terapia renal substitutiva (TRS) nas últimas décadas e revela resultados semelhantes da população em hemodiálise quando comparada á diálise peritoneal analisando-se vários desfechos nesta população, em diferentes grupos de pacientes. Reforça-se a diálise peritoneal como método eficiente para início ou manutenção em diálise do paciente portador de doença renal crônica em estágios avançados.

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Desensitization in HLA-Incompatible Kidney Recipients and Survival.

Autores: Robert A. Montgomery, Bonnie E. Lonze, Karen E. King, Edward S. Kraus, Lauren M. Kucirka, Jayme E. Locke, Daniel S. Warren, Christopher E. Simpkins, Nabil N. Dagher, Andrew L. Singer, Andrea A. Zachary, and Dorry L. Segev.

New England Journal of Medicine 2011;365:318-326.

Comentários pela Dra. Silvia Regina Hokazono

A escolha do tema conduzido pela “John Hopkins University School of Public Health” foi muito ousada e corajosa. Dentro de uma enormidade de variáveis, salientou o incremento progressivo de hipersensibilizados em lista de espera de doador e com metodologia simples abordou sobrevida entre dois grupos distintos: diálise X diálise/ transplante submetido a um protocolo de imunossupressão que se utilizou de plasmaferese, IVIG ou daclizumab como drogas de indução além de corticoide, micofenolato de mofetil e posteriormente inibidores de calcineurina. Ensaios de citotoxicidade complemento dependente e prova cruzada por citometria de fluxo foram realizadas em diferentes etapas do tratamento. A análise estatística procedida por curvas de Kaplan Meier demonstram sucesso na desensibilização para transplante intervivos, quando comparados com grupo em diálise. Estima-se que em 8 anos, a vantagem de sobrevida no grupo transplante seria o dobro do grupo diálise. Há que se considerar limitações deste artigo: é um estudo de coorte, conduzido em um único centro e com seguimento de apenas 3 anos. Entretanto, estimula o desenvolvimento de estudos multicêntricos abordando este importante problema visto entre pacientes renais crônicos candidatos a transplante renal.

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Blood pressure stability in hemodialysis patients confers a survival advantage: results from a large retrospective cohort study.

Autores: Jochen G. Raimann, Len A. Usvyat, Stephan Thijssen, Peter Kotanko, John Rogus, Eduardo Lacson Jr and Nathan W. Levin.

Kidney International (2012) 81, 548–558.

Comentários pelo Dr. Sérgio Bucharles

A hipertensão arterial (valor de pressão arterial ≥ 130/80 mmHg) é uma comorbidade bastante prevalente entre os pacientes em tratamento por hemodiálise e estes valores elevados de pressão arterial estão intimamente relacionados a eventos cerebrovasculares e doença arterial coronariana. Embora os valores de pressão arterial isoladamente possam conferir maior ou menor risco de eventos cardiovasculares, as modificações que estes valores sofrem ao longo do tempo (elevação média ou redução média) também parecem ser pontos importantes de observação. Este estudo, publicado no periódico Kidney International do ano 2012, realizado numa população incidente de pacientes em HD em diversas unidades de diálise dos EUA, ao longo de um período de observação de 2 anos, destaca a importância que valores de pressão arterial estáveis exercem em relação á mortalidade cardiovascular, mesmo entre os pacientes nos “quartis” mais elevados de PA. Adicionalmente, a utilização de drogas cardioprotetoras (inibidoras da enzima conversora de angiotensina, bloqueadores de receptor de angiotensina e betabloqueadores) conferiu adicional proteção cardiovascular. Talvez mais importante do que reduções exageradas nos valores de PA seja o conceito da estabilidade de seus valores ao longo do tempo, o que associado ao uso de drogas cardioprotetoras se constituiu no cenário mais favorável ao longo do tempo.

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AKI in the ICU: definition, epidemiology, risk stratification, and outcomes.

Autores: Kai Singbartl and John A. Kellum

Comentários da Dra. Maria Aparecida Pachaly

Embora o tratamento médico que ocorre nas unidades de terapia intensiva tenha sofrido sensíveis melhorias nas últimas décadas, a insuficiência renal aguda permanece como patologia altamente prevalente neste ambiente, apresentando fisiopatologia complexa e manifestações clínicas variadas, além de elevada morbi-mortalidade. Ao longo da última década uma série de reuniões envolvendo “experts” em nefrologia intensiva e médicos intensivistas foi realizada com o intuito de unificar uma classificação que envolvesse os diferentes estágios da Injúria Renal Aguda, paralelamente a uma classificação que trouxesse além de critérios diagnósticos, também perspectivas de prognóstico. Este artigo publicado no periódico Kidney International do ano corrente, trás uma série de informações relativas á prevalência, dados epidemiológicos, classificação, fisiopatologia atualizada e aspectos sistêmicos da injúria renal aguda, cujas repercussões a curto, médio e longo prazo não são limitadas puramente a questões de prejuízo crônico de função renal.

 

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Editor Geral - Dr. Sérgio Bucharles

Editor de Diálise Peritoneal - Dr. Rafael Romani

Editora de Transplante Renal - Dra. Silvia Regina Hokazono

Editora de Nefrologia Ambulatorial - Dra. Maria Aparecida Pachaly

Editor de Hemodialise - Dr. Sérgio Bucharles